domingo, 16 de janeiro de 2011

OFÍUCO O "NOVO SIGNO"

Sobre o “Novo signo” Ofíuco, matéria publicada em 2005 no site Sinarj




O zodíaco dos cientistas

Pablo Nogueira

Pepe Casals
 

Diga-me quando você nasceu e eu te direi por qual parte do céu o Sol passava na época. Vamos supor que a data esteja entre 21 de janeiro e 15 de fevereiro. Os horóscopos dos jornais afirmam que seu signo é Aquário. Mas o fato é que, naquela época do ano, era a constelação de capricórnio, e não a de aquário, que estava sendo atravessada pelo astro-rei. Essa diferença não é privilégio dos aquarianos. Há 84% de chance de que o Sol estivesse na verdade uma constelação "atrás" daquela que dá nome para o seu signo (ou seja, que estivesse em peixes, se você é ariano, e assim por diante). E 2% de que a distância seja não de uma, mas sim de duas constelações. Há mais novidades: se seu aniversário fica entre 30 de novembro e 17 de dezembro, saiba que nessa época o percurso solar passa pela constelação do ofiúco, a qual não está relacionada a nenhum signo zodiacal.



Por que tantas diferenças entre o movimento do Sol pelo céu e o que dizem os escritos astrológicos? Há quem use desse fato para taxar de fraude a astrologia. Mas entender a causa dessas diferenças é uma atitude mais rica, do ponto de vista da compreensão da natureza. Pois a causa tem a ver com os movimentos da Terra, com os ciclos que eles seguem e com toda a história humana de observação dos astros. E o mais interessante é que talvez, neste caso, mesmo a ciência tenha algumas perguntas ainda não respondidas.

Acredita-se que as primeiras observações sistemáticas do céu tenham sido motivadas pelo desenvolvimento da agricultura, cerca de 10.000 a.C. Movido pela necessidade de planejar a atividade de plantio, o homem pré-histórico observava o Sol, a Lua e as estrelas para poder reconhecer os sinais dos ciclos das estações. "Na tentativa de descrever o que viam no céu, os homens da Antiguidade imaginavam que a Terra se encontrava cercada por uma gigantesca esfera", explica o astrônomo Oscar Matsuura, diretor do Planetário e Escola Municipal de Astrofísica Prof. Aristóteles Orsini, de São Paulo. Desta esfera, vê-se apenas a metade superior, sobre cuja superfície se encontravam os astros. Ela recebeu o nome de esfera celeste.

O verdadeiro zodíaco 

A eclíptica mostra a trajetória do Sol. Hoje ele também passa por ofiúco, constelação que não corresponde a nenhum signo astrológico 
1) Leão 

2) Caranguejo 



3) Gêmeos 

4) Touro 


5) Carneiro 


6)
Peixes


7) Aquário 
8) Ofiúco 

9) Capricórnio 

10) Sagitário 

11) Escorpião 

12) Libra 

13) Virgem 

Movimento no céu 

Imaginando essa esfera, os antigos perceberam que alguns astros formavam padrões fixos, como se pintados sobre o fundo, enquanto outros se moviam. Os primeiros foram chamados de estrelas fixas, e eram muitas vezes reunidos em grupos arbitrários chamados de constelações. Os gregos chamaram aos demais planetas (literalmente, astros errantes), e nessa categoria incluíram também o Sol e a Lua.


A análise do movimento do Sol em relação ao fundo de estrelas fixas mostrou que ele percorria anualmente um círculo de 360º na esfera celeste. Esse círculo imaginário recebeu depois o nome de eclíptica, que é como é chamado até hoje, mas o conceito é milenar: "Três mil anos antes de Cristo, a eclíptica já era conhecida pelos babilônios", diz Matsuura. Mas, mais do que apenas uma linha, a eclíptica é na verdade a projeção, na esfera celeste, vista da Terra, da órbita da Terra em torno do Sol (veja ilustração "O passo do Sol").

A observação revelou também que o movimento da Lua e dos demais planetas, em relação às estrelas fixas, se dava nas proximidades da eclíptica (hoje sabemos, numa faixa entre 8º ao norte dela e 8º ao sul), e que, em seu trajeto, eles passavam em frente a algumas constelações. O trajeto foi dividido em 12 partes e recebeu o nome de zodíaco - o nome é uma referência ao fato de as constelações terem sido batizadas, quase todas, com nomes de animais. Os antigos acompanhavam o movimento do Sol sobre o zodíaco e tentavam identificar regularidades. Daí surgiram os conceitos dos signos, que a astrologia usa até hoje.

Uma das regularidades era a chegada da primavera no hemisfério norte, quando o Sol alcançava o ponto na eclíptica chamado equinócio vernal. Em março a trajetória do Sol cruza o equador celeste, vindo do hemisfério celeste sul, em direção ao norte. Até hoje esse evento é importante para os astrônomos, que chamam de ano trópico o tempo necessário para que o Sol complete uma volta e torne a passar outra vez pelo equinócio vernal. Mas na Antiguidade a primavera marcava o fim de um ano e o início de outro para toda a sociedade. Naquela época - estamos falando de alguns milhares de anos antes da era cristã - a constelação que estava por detrás do Sol, na eclíptica, era a de carneiro, e o signo de Áries era considerado o primeiro do zodíaco. Em setembro o Sol voltava a cruzar o equador celeste, desta vez num movimento descendente em direção ao hemisfério celeste Sul. Era o equinócio de outono, e a constelação que servia de "pano de fundo" para o astro-rei era a de libra.

O movimento do sol pelo zodíaco hoje*  

CARNEIRO (ÁRIES) 19 abril - 13 maio 

TOURO 14 maio - 19 junho 

GÊMEOS 20 junho - 20 julho 

CARANGUEJO (CÂNCER) 21 de julho - 9 agosto 

LEÃO 10 agosto - 15 setembro 

VIRGEM 16 setembro - 30 outubro 

LIBRA 31 outubro - 22 novembro 

ESCORPIÃO 23 novembro - 29 novembro 

OFIÚCO 30 novembro - 17 dezembro 

SAGITÁRIO 18 dezembro - 18 janeiro 

CAPRICÓRNIO 19 janeiro - 15 fevereiro 

AQUÁRIO 16 fevereiro - 11 março 

PEIXES 12 março - 18 abril
* Datas referentes a 2000


A Terra e o pião  

Ou seja, há milhares de anos, os signos do zodíaco correspondiam exatamente às constelações que os designaram. O que aconteceu então? A resposta está num fenômeno conhecido como precessão. Para compreendermos, é preciso levar em consideração o fato de que a Terra gira. Por isso não é perfeitamente esférica, mas achatada nos pólos. Isso faz que se forme, na região do equador, um bojo, sobre o qual atua a gravidade do Sol e da Lua, que fazem com que nosso planeta desenvolva um outro movimento.

Como se sabe, a Terra gira ao redor de um eixo inclinado. Mas embora mantenha constante seu ângulo de inclinação (que é de cerca de 23,5º em relação à eclíptica), ele não mantém sempre a mesma orientação, ou seja, não aponta sempre para a mesma direção. A ação combinada do Sol e da Lua fazem o eixo terrestre descrever no espaço um movimento cônico, semelhante a um pião de criança que gira no chão. A diferença é que enquanto o pião pode dar várias voltas por minuto, nosso planeta leva 25.800 anos para completar uma. Esse bamboleio do eixo da Terra é a precessão.


O passo do Sol 

À medida que a Terra muda de posição, ao longo do ano, o lugar do Sol em relação às estrelas fixas da eclíptica varia. Isso acontece porque o movimento do Sol na eclíptica é na verdade resultado do movimento de translação da Terra em torno do Sol 


1) Leão 

2) Caranguejo 

3) Gêmeos 

4) Touro 

5) Carneiro 

6) Peixes 


7) Aquário 

8) Ofiúco 

9) Capricórnio 

10) Sagitário 

11) Escorpião 

12) Libra 

13) Virgem


A precessão vai afetar as datas dos equinócios. O movimento de pião do eixo da Terra vai fazer com que, a cada ano, o instante em que o Sol cruza o equador celeste aconteça cerca de 20 minutos mais cedo, em relação ao ano anterior. Acumulados ao longo de 2 mil anos, esses 20 minutos anuais correspondem a aproximadamente um mês. É por isso que hoje, quando acontece o início da primavera, o Sol está passando pela constelação de peixes, e não mais pela de carneiro, como acontecia na Antiguidade.


Em 1929, a International Astronomical Union (IAU), órgão máximo da área da astronomia, definiu oficialmente 88 constelações e delimitou as áreas da esfera celeste correspondentes a cada uma. Disso resultou a incorporação de ofiúco ao zodíaco. Um problema interessante, porém, parece ter ficado de fora. Em 1977, o astrônomo americano John Mosley publicou um artigo afirmando que a Lua e os demais planetas passavam, ainda que parcialmente, em frente a 24 constelações. Em 1999 outro americano, John Mosley, analisou o trabalho de Shapiro. Mosley descobriu que não havia uma lista oficial de todas as constelações atravessadas pelos planetas. "Fiquei surpreso ao descobrir que essa questão não havia sido abordada antes", disse Mosley a GALILEU. Com ajuda de computadores, ele produziu uma lista com 21 constelações, que foi confirmada depois pelo belga Jean Meeus, uma das grandes autoridades na área de cálculos astronômicos. Mas não é reconhecida pela IAU.

Os gregos já sabiam 

A precessão dos equinócios foi identificada primeiro pelo grego Hiparco, que viveu na Antiguidade, no século 2 a. C. Ele percebeu que, quando a primavera se iniciava, o Sol estava passando pela constelação de peixes, e não mais pela de carneiro, como acreditavam os astrólogos. Isso acontece porque, devido ao movimento de precessão, os equinócios acontecem, a cada ano, em momentos ligeiramente distintos (veja as ilustrações abaixo). 
Imagine a Terra no centro de uma grande esfera. É a esfera celeste 

Equinócios 

Devido à obliqüidade do eixo terrestre, a eclíptica é inclinada em relação ao equador celeste



Duas vezes por ano, o Sol cruza o equador celeste. São os equinócios, que marcam o início do outono e da primavera


 
Precessão 

Devido à atração gravitacional do Sol e da Lua, o eixo da Terra descreve um movimento cônico, que leva 26 mil anos para se completar. 

É a precessão 

A precessão faz com que os equinócios aconteçam, a cada ano, em momentos pouco diferentes. O acúmulo dessas diferenças se reflete nas mudanças nas datas da passagem do Sol pelas constelações

 

E a astrologia?  

Como será que os astrólogos lidam com toda essa história? "A astrologia distingue o que é constelação e o que é signo", afirma o astrólogo Oscar Quiroga. "As constelações nunca foram referência para cálculo astrológico, pois o espaço que ocupam no céu é irregular. Já os signos são espaços regulares e virtuais, que acompanham a eclíptica perfeitamente", diz Quiroga. "É o fim para a crença na influência dos astros sobre a vida dos seres humanos", ataca Mosley. Quiroga apresenta outros argumentos. "Cosmos e pessoas são feitos da mesma substância e têm um relacionamento mútuo. A astrologia estuda esse relacionamento." E acredite quem quiser.




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